Aeroporto de St John, e agora?

  

A Yelena não conhecia nenhum dos cubanos que tentaram a sua sorte, porém depois de sair do esconderijo verificou que os seus “companions de route” eram seis e segundo ela todos eles cheios de medo do desconhecido… resolveu então tomar o comando das operações: dirigem-se ao guichet da Imigração e ela, sempre ela, explica a sua situação, os outros apenas acenam com a cabeça. No seu fraco francês explica que é cubana e que quer ficar no Canadá entremeando a conversa com os motivos… Passam então aos procedimentos legais: tirar fotografias, registar as impressões digitais, receber orientações práticas  para começarem uma nova vida, mais um cheque de 5000 dólares para as primeiras necessidades ( alojamento, roupas…) e a garantia de 1000 dólares durante um ano ou até arranjarem um emprego. A Yelena garantiu-me que só pensava que estava a sonhar, e o caso não era para menos!

Isto aconteceu há uns 18 anos, hoje é bem diferente a não ser que proves que és perseguido político!

Muito rapidamente e graças à sua determinação arranjou emprego como baby-sitter  para cuidar de três crianças, nada fáceis segundo ela. O casal era um casal de artistas, ela era actriz e ele músico pop, daqueles todos tatuados, acrescenta também. As miúdas habituadas a fazer tudo o que queriam, vivendo numa casa permanentemente desarrumada, não era nada fácil  para quem vinha da disciplina cubana, mas assim se aguentou dois meses…

Porém para quem é tenaz não há montanhas que não se possam mover e então deixou  as crianças pois gizou uma maneira de ganhar mais dinheiro embora à custa de noites muitas vezes com apenas duas horas de sono!

 Vejamos como ela arranjou o seu negócio. Na altura o regime do Fidel Castro não permitia chamadas telefónicas entre Cuba e os Estados Unidos onde estavam a maioria dos exilados cubanos e então para as famílias se falarem os telefonemas faziam-se via Canadá.

 Assim ela, em St John, tornou-se “telefonista” e arranjou forma de conectar os cubanos da sua Ilha com os do continente através do seu telefone, estivessem os cubanos em que parte dos EUA estivessem. Assim os cubanos da Flórida, da Califórnia ou de qualquer outro lado, ligavam para a Yelena em St John e esta ligava-os aos seus em Cuba. Diz ela que devido à diferença horária com a Califórnia muitas noites eram passadas em branco e lembra também que ,devido à rudimentaridade do sistema, não podia de deixar de ouvir as conversas e que não sabe quantas vezes chorou com eles...

 

 Fez muitos amigos que nunca conheceu mas que passaram na sua linha…

 

publicado por naterradosplatanos às 23:13 | link do post | comentar