Eu, o Matias e o Siamak ouvimos em silêncio…

  

Fui criada desde os nove anos num lar para raparigas em Havana e de lá saí com 18 anos…assim começou a Yelena a sua história…

 

Só se lembra de ver o pai duas ou três vezes, de ter medo da cara dele e de se sentir aterrorizada pelo seu aspecto… no lar a disciplina era militar, tudo funcionava ao centímetro e ao minuto, mas diz ela que, se na altura isso era difícil, hoje acha que essa disciplina fez dela a pessoa ordenada, organizada que hoje é... mas o pior, segundo disse, eram ainda as saudades da mãe!

Na escola aprendeu ballet durante seis anos e são as aulas de dança e os espectáculos as melhores recordações que trouxe  de Cuba…Recorda também com alguma nostalgia o tempo que viveu no campo com a avó, entre os patos, as galinhas, os coelhos e a horta.... tempo que corresponde ao tempo antes de entrar, aos 9 anos, para o  lar de raparigas em Havana e de onde saiu, com disse, aos 18.

 

Durante este tempo a mãe casou de novo e deu-lhe dois meios irmãos…

 

Arranjar um emprego foi o que se seguiu e a sua sorte começou aí…Na Cuba dessa altura só havia duas hipóteses, trabalhar para o Fidel Castro ou conseguir emprego num hotel para estrangeiros e  foi o que aconteceu. Assim a Yelena tinha a seu cargo a botique de um deles, primeiro como simples balconista depois como gestora da mesma, encarregada das encomendas e da contabilidade... Ganhava em dólares e trabalhava num ambiente que ela designou por “heaven”! O dinheiro que ganhava, muito a cima de qualquer vulgar cubana, tinha dois destinos: ajudar a mãe e os irmão e esconder algum para fazer uma pequena poupança…

 

E foi essa poupança que lhe permitiu a liberdade…

 

 

publicado por naterradosplatanos às 20:29 | link do post | comentar