“Garbanzos en Potaje” na casa da Yelena

 

Como já disse, não há (para além da poutine) comidas tipicas desta terra, portanto a Yelena fez para o nosso almoço uma tipicamente cubana, “garbanzos en Potaje”.  Uma delícia! É um estufado de grão de bico com um molho grosso todo à base de legumes e onde as proteínas animais se resumem a umas tirinhas de “jamon”. Depois ainda havia ”chopsuey” de porco mas que eu não quis preferindo repetir os “garbanzos”. Terminamos com um chá e uma fatia do universal pudim de ovos.

 

Como a conversa corria fluida, no nosso inglês (recorrendo ao francês ou ao espanhol quando necessário) e entre receitas culinárias e  outros assunto domésticos perguntei à Yelena quantos anos tinha  e ela respondeu-me: “guess you”! Pelas contas que eu tinha feito pensei que teria aí uns 38, 39 anos mas não, e embora não pareça, quer pelo aspecto, quer pela jovialidade, tem 45, 46 no próximo Outubro!

 

Mais me disse que viveu com o José António (tentem lê-lo em espanhol, substituindo o J pelo G) durante doze anos e  a ele se refere sempre como “o meu ex-marido” embora o não fosse de papel passado. Separaram-se há dois anos e, segundo a Yelena, porque se tornou uma pessoa difícil e  que ela sentia que estava a dar tudo sem receber nada…O José António é Engenheiro Mecânico e já se conheciam em Cuba…diz ela que, pesando as coisas, não lamenta… ficaram amigos e é quanto basta segundo ela. Não terem filhos facilitou a coisa!

 

A Yelena é de profissão higienista dentária, curso para-médico e sempre ligado ao de dentista: primeiro diagnóstico, limpeza dos dentes, moldes, manutenção dos aparelhos de ortodontia…é da competência destes, o dentista (médico) só entrevem no mais complicado. Segundo ela não há ( ao contrário dos dentistas que aqui, tal como aí pululam como cogumelos) falta de emprego e além disso bem remunerados. No caso dela, mais ou menos $32 /h ou então $ 30, 35 mil por ano. Nunca ouvi falar em ordenado mensal! Mas este é o uso no cálculo das remunerações…

Entretanto aproximavam-se as horas da nossa aula de conversação e à distância de 15, 20 minutos fica a Escola.

 

Nesse dia só éramos três, eu a Yelena e o Matias, italiano de Roma, 30 anos, engenheiro de som que veio para Montreal onde o emprego na área é fácil. Perante apenas três alunos o Siamak deve ter pensado que não teria interesse o modelo de aulas que é costume. Não é que, pura coincidência, a aula veio de encontro ao que eu gostava de saber mais sobre a Yelena, mas que não tive a coragem de perguntar?!

Assunto de conversa: A nossa infância, a nossa relação com os pais, e o que gostaríamos, hipoteticamente claro, ver modificado.

 

A Yelena foi a primeira e entre a emoção e o realismo da sua história eu, o Matias e o Siamak ouvimos em silêncio…

 

publicado por naterradosplatanos às 13:42 | link do post | comentar