Domingo, 30.01.11

Almoço de Domingo

  "Alheira de Mirandela”  ($5.40),  fabricada  em Toronto por   um português de  nome  Borges  (Borges  Food Lda), comprada na Padaria Portuguesa no Boulevard St Laurent, comida com batatas do Idaho (USA), regadas com azeite Galo (português), no 20º andar do 400, Sherbrooke Street em Montreal e agora posta no ciberespaço para quem quiser constatar, através das fotografias o que acabo de escrever!

“ A alheira de Mirandela” não veio de Mirandela, portanto e embora sabendo a alho (alheira) não tinha nada a ver com aquelas que a minha irmã de quando em vez compra na charcutaria da General Taborda lá em Campolide, essas sim são da Mirandela de Trás-os-Montes e maravilhosas pelo paladar e por tudo o que têm dentro! Mas enfim, para matar saudades não foi mau embora não seja para repetir.

Já agora, as batatas do Idaho eram saborosíssimas e nada têm a ver com as que aí comemos, aquelas tinham o sabor das da minha infância…

 

p.s. não é para gozar com quem me lê, mas hoje esteve um dia óptimo, só estiveram -8!

 

 

 

publicado por naterradosplatanos às 20:43 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Sexta-feira, 28.01.11

Siamak's lessons

 

Não sei se alguma vez falei das minhas aulas de conversação. Quando se tornou premente ter que arranjar em que matar as horas dos longos dias decidi que uma maneira proveitosa, à maneira do que fiz em Udine, era matricular-me num curso de inglês. Não foi fácil encontrar pois a maior parte eram intensivos o que significava 5 a 6 horas por dia e isso também não queria.

 

 Um dia, num dos meus passeios para os lados do Mont Royal, dei com o College Platon. Este instituto de línguas, segundo o que lá está escrito propõe-se ensinar qualquer língua, mas claro está que o seu forte é o Francês e o Inglês. Ali há alunos de todo o lado que vêm muitas vezes com visto de turistas e que em três meses procuram aprender uma das línguas. Assim já encontrei uma albanesa, vários coreanos, chineses e chinesas( falando um inglês aos saltinhos!), mexicanos aos montes, brasileiros, venezuelanos, um cambodjano…e por aí além! Um destes dias disseram-me que tinham um pedido para ensinarem Português e se eu não estaria interessada. “Of course not”, eu já nem para mim sei gramática suficiente quanto mais para ensinar! E tendo sido eu professora para onde teria ido o meu brio de ser eficiente se tivesse aceitado?

 

Mas de o que eu quero falar é das minhas aulas de conversação. O Siamak é o professor, tem 42 (o que não é relevante para nós mas que na imprensa escrita eles fazem sempre questão de a referir …” John, 42 was acused of…”). Adiante, o Siamak é iraniano, saiu do Irão há algum tempo, já com o curso de medicina estando a tentar ser admitido para doutoramento aqui, mas como é preciso ganhar dinheiro há três anos que é ali professor…

 

Ensinar é uma arte, e nem todos são artistas! Mas ele é!

Sendo aulas de conversação, o que é fundamental é conversar e para isso é preciso algum vocabulário e ter capacidade de se expor, o que nem uma coisa nem outra sempre acontecem. No entanto ele é capaz de por toda a gente a falar! Um dos segredos é escrever no quadro uma ou duas perguntas ou assuntos polémicos para discutir e claro, são tão polémicos, que mesmo quem é “envergonhado” quer participar! 

 

 A Maha é egípcia, muçulmana, com os cabelos tapados como manda a sua religião, o marido leva-a e vai busca-la e como imaginam é muito tímida, mas não é que ultimamente ela está muito mais participativa? Um dia destes confessou-me a mim e à Yelena (cubana com avós russos e que saiu de Cuba já há 18 anos) que nunca pensou conseguir falar no meio de tantas pessoas estranhas!

 

Como não ter vontade de se expressar quando o assunto é “direito dos animais” e se põe  a questão de que se uma formiga, um escorpião têm os mesmos direitos de um cão, um cavalo ou um chimpanzé? Ou quando se escrevem no quadro seis estados psicóticos, com as respectivas características e se nos pede para nos pronunciarmos e porquê, aquele/a com a qual não nos importariamos de viver? A resposta “nenhum” não era permitida. 

 Outros dias há 10, 15 minutos filme que depois tens que ir contando depois da “deixa” do primeiro, ao qual se vão seguindo um a um todos os alunos que estão na sala. “You” diz o professor porque com os alunos sempre a mudar nem sempre  consegue lembrar de todos. Se Maha, Dalma, Mário,Matias ou Yelena são fáceis o mesmo não acontece com os chineses, japoneses ou coreanos!

 

 São realmente aquilo que eu chamo “aulas a cores”. Mas, depois, há que saber para o dia seguinte todo o novo vocabulário e como disse ninguém escapa!

 

p.s. desculpem, hoje alonguei-me de mais mas espero que não tenham desistido a meio.

publicado por naterradosplatanos às 16:42 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Quarta-feira, 26.01.11

Não, não fui eu que fiz!

 

 

Quando viemos para o apartamento e vi que tinha uma varanda, pensei logo que quando a neve a enchesse eu ia fazer um boneco de neve, à maneira daqueles que fazíamos em Bragança, quando éramos miúdos e a neve caía a sério. Mas nada disso, mesmo que a neve se acumulasse aqui não o poderia fazer! Porquê? Porque aqui a neve é seca, tão seca que é impossível aglutina-la! Se agarrarmos nela e a deitarmos ao ar ela cai como o açúcar cairia. Se o vento sopra, então, parece uma tempestade de “areia branca” tal como as verdadeiras tempestades do Sahara ou então a areia levantada pela “nortada” nas nossas praias da costa ocidental, daquela que pica quando nos atinge em áreas descobertas…

Realmente nas primeiras vezes que fui ao Mont Royal e já este coberto de neve, estranhei que os miúdos, que por lá andavam, não atirassem bolas uns aos outros, "jogar à pelotada” como nós dizíamos, nem ver qualquer um a divertir-se fazendo um boneco de neve. Realmente é que, com neve assim, é verdadeiramente impossível!

 Impossível se torna pois publicar uma fotografia tirada por mim, mas…lá está o GOOGLE que nós dá solução para quase tudo!

 

ADITAMENTO ao post anterior

 

Os meus netos podem não ser (ainda) artistas, mas quem sabe, no MoMA ou no Berardo, há lá muitos que não são melhores! Aqui vai a fotografia do Boneco de Neve que fizeram este ano na Serra da Estrela. Beijinhos para os autores (Raquel, Nuno e Diana).

 

 

publicado por naterradosplatanos às 16:13 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Segunda-feira, 24.01.11

Les Fêtes des Neiges: -21 graus!

 

 

Hoje pela primeira vez senti o que são esses tantos negativos! Os -15 não senti que não fossem suportáveis, mas os -21 tornam-se sérios pois o que fica de fora, nariz e bochechas, fica mesmo anestesiado...

Ontem iniciaram-se Les Fêtes des Neiges, divertimentos para as famílias na Ilha de Santa Helena que foi onde se realizou a ExpoMontereal 67 e onde hoje é  um parque onde há actividades variadas ao longo do ano. Como o inverno  aqui não tem chuva, apenas neve e mesmo essa não é muita os dias “são sempre” propícios a gozar a natureza desde que se aguentem as temperaturas.

Ontem resolvemos ir até lá não obstante os tais -21. Fomos de metro pois é longe e há que atravessar o Rio St Laurent. Quando chegamos eram 11 da manhã, o céu azul cobalto a neve que já era gelo resplandecia no chão…mas gente pouca, talvez porque era cedo ou porque estavam os tais -21!

 

Os divertimentos esses eram concretizados em neve, escorregas de todos os tamanhos, desde os de tamanho adequados a gente pequena até aqueles tipo parque aquático com várias pistas. Havia também pequenas barracas, tipo feira de diversões, barracas, não de gelados mas de venda de chupa-chupas, animadores vestidos de ursos, de coelhos ou de palhaços que a todo o custo tentavam animar os poucos visitantes. Também havia um palco onde uma banda super vestida, mais parecendo uma banda de astronautas, tocava…havia também vários rings de patinagem, minigolfe sobre o gelo e o tal frio muito frio sempre presente, não obstante o sol radioso!

 

Para verem como era realmente, só vos digo que, tendo tirado as luvas para fazer um pequeno vídeo do rio St Laurent onde flutuavam enormes placas de gelo,a minha mão gelou de tal maneira que perdi totalmente a sensibilidade e como tal, a minha “click clack” estatelou-se no chão! De imediato ficou sem dar acordo de si…em casa e já a +23 parece ter recuperado!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por naterradosplatanos às 14:13 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Sábado, 22.01.11

Quis votar e não pude!

Quando vim para aqui tive o cuidado de me ir escrever no consulado, que por sinal é logo aqui ao lado no 2020 da University Street. Depreendi que, tal como aí, o recenseamento era automático, mas enganei-me! Assim hoje de manhã quando lá fui não pude cumprir o dever.

 O Consulado é no 24ºandar e lá estava a mesa, com três elementos, os cadernos eleitorais e a urna, não havia mais votantes e eu curiosa perguntei como tinha, até então, sido a afluência, disseram-me que as pessoas só costumam ir depois de almoço! Aqui a votação faz-se em dois dias portanto hoje 22 e amanhã 23. Francamente gostava de saber quantos votantes lá foram e por isso 2ª feira hei-de lá voltar ver se há algo publicado lá à porta…

 

publicado por naterradosplatanos às 19:40 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Quinta-feira, 20.01.11

Como é em Genebra, Susana?

  

 

Quando pensamos na neve a cair e a tudo ir ficando branco temos uma visão romântica da situação. A realidade é muito, muito diferente, uma ou duas horas depois do limpas neves ter passado, desviado a neve para os lados e espalhado um “sal amarelado” misturado com gravilha escura, as ruas viram ruas de África onde os esgotos correm a céu aberto enlameando  tudo. Como os canadianos são iguais a muitos outros também deitam lixo para o chão e é ver as garrafas, os copos de café, pratos de papel, sacos de plástico…tudo enterrado naquela lama, que na noite seguinte se transforma em gelo e a que no dia seguinte se acrescenta mais neve mais sal, mais lama e por aí adiante… aquele lixo só sairá na primavera quando o gelo derreter e a neve deixar de cair e os varredores passarem de novo nas ruas.

Como podem ver nas fotografias é assim mesmo e passear nestas ruas não é agradável! Se queremos alguma brancura só rumando ao Mont Royal ou em alguma rua estreita do Plateau onde os moradores ainda podem ter o prazer de a ver pois aí os limpa neves dificilmente podem entrar.

Como eu me arranjo para dar os meus passeios? Fácil, logo no princípio do inverno comprei umas botas, melhor umas galochas como as que vêem na fotografia. São uns verdadeiros submarinos que passam por todo o lado!

 

 

 

  

  

 

 

publicado por naterradosplatanos às 23:13 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Terça-feira, 18.01.11

Aviso ou talvez esclarecimento: resolvi…

 

 

... aderir ao novo Acordo Ortográfico e comunicar a minha decisão a quem me lê, não vão pensar que agora me pus a dar erros!

Agora vejamos as bases da minha decisão. Não é que o meu corrector ortográfico do o Word resolveu aderir sem me pedir licença! Cada vez que infrinjo as novas regras vai daí põe-me um traumatizante traço vermelho por baixo (meu Deus, nesta perspectiva quantos alunos traumatizei!) e isto já me estava a incomodar. Depois pensando no dito popular “se não podes vencer o inimigo, junta-te a ele” resolvi assumir o dito acordo! Ainda pensando sobre o desconforto que certamente continuarei a sentir me lembrei de que quando era pequena e, a minha mãe nos ajudava nos trabalhos de casa, de ela nos dizer que quando andava na escola, mãe se escrevia mãi e pai se escrevia pae !  Como vêem não vale a pena resistir. Para já vou apenas seguir o meu corrector ortográfico e até 2015, altura em que, segundo li, entra de facto em vigor  vou-me adaptando…

 

O aviso fica feito antes de pensarem que escrevi com erro pensem que pode ser a nova ortografia e aqui vai um site fácil de consultar para tirar dúvidas

 

http://aeiou.visao.pt/guia-pratico-para-perceber-o-acordo-ortografico=f543282

 

ou aqui

 

http://www.ciberduvidas.pt/respostas.php?key1=lingfield&val1=OP

 

 

(vejam este delicioso cartoon que tirei da net)

 

publicado por naterradosplatanos às 22:58 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Domingo, 16.01.11

O Mont Royal em branco...

 

 

Ontem nevou quase todo o dia e quando me deitei ainda nevava…

Quando me levantei a primeira coisa que fiz foi ir espreitar pela janela e realmente visto cá de cima estava tudo branco ( para o próximo post falo da vista de lá de baixo) e o céu azul. O termómetro na varanda marcava -10! Porém a resolução estava tomada e depois de um cafezinho em frente rumamos ao Mont Royal . Aí  sim,” as paisagens  são de calendário”, tudo impecavelmente brando e as pessoas desfrutando essa brancura: umas simplesmente caminhando ou mesmo correndo, outras puxando o trenó dos filhos ou passeando os cães ou cãezinhos, outras ainda deslizando de skis…Lá em baixo no Lago dos Castores e ao som de música patina-se sem cessar, desde os que dão os primeiros passos até aos que já entrados na idade ainda deslizam confiantes e, todos eles com ar de quem faz aquilo com verdadeiro prazer!

Nós, menos acostumados a estas neves, avançamos com cuidado mas igualmente gozando toda aquela brancura e apreciando os que passam por nós. Ao todo o meu pedómetro marcava 10,120 Km, feitos entre as 8.45 e as 12.15.

 

 O resto do dia foi passado cá em cima, no 20º andar, de onde miro os terraços dos prédios em frente e onde a neve vai derretendo por causa dos ares condicionados que os ocupam… 

 

Na Televisão o boletim meteorológico acaba de anunciar -20 para esta noite !

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por naterradosplatanos às 21:53 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Quinta-feira, 13.01.11

Será que...

 

…como se diz que “Deus dá o frio conforme a roupa”? É muito capaz dado o número de sem-abrigo que, apesar das temperaturas terem estado sempre abaixo de -5 graus, ainda encontro por aí acocorados e às vezes até sentados num qualquer montão de neve à borda do passeio. Claro que cada um se proteje o melhor que pode e aos seus também…

Hoje, durante o meu passeio pela Rue St Catherine, deparei-me com um que  encostado à parede de uma loja estendia um copo à espera de quem nele deitasse uma moeda. Como sabem, eu não sou muito sensível a este tipo de pobreza (acho que a minha moeda não lhes modifica a vida) , muito menos aqui no Canadá. Um país rico, como é o caso, deveria tratar destes casos, digo tratar não no sentido lato de dar subsídio, porque isso dá (que maioria dos casos é encaminhado para a bebida), mas sim cuidar, no sentido de lhes dar um rumo…de os tirar desta condição degradante de estender a mão a quem passa. Mas continuando…hoje deitei uma moeda de 50 cêntimos no copo de um desgraçado mas, não desinteressadamente confesso pois em troca pedi-lhe para me deixar tirar uma fotografia ao seu fiel amigo. Exacto aquele era mesmo o seu fiel amigo e eu conto…depois de deixar a moeda no copo fiz o pedido e foi aceite…procurei o melhor ângulo e click, já está! Porém achei que devia mostrar a fotografia que tirei ao dono do fotografado e, nesse sentido inclinei-me sobre o homenzinho e mostrei-lha. Não é que o bicho se levanta e me rosna!? Não gostou da minha aproximação a quem o trata como vêm na fotografia.

Mas há os que os donos protegem de outra maneira, mais sofisticada, calçando-lhe umas botinhas para os poderem levar a passear! Esta foi tirada em Nova York no dia a seguir ao grande nevão e quando o sol reapareceu.

 

Mas será que a fidelidade será a mesma?

 

 

 

 

 

 

publicado por naterradosplatanos às 22:10 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Quarta-feira, 12.01.11

Hoje fiz arroz-doce!

 

 

 Hoje resolvi fazer arroz-doce, uma guloseima que adoro mas de que ainda não me tinha lembrado e porque me lembrei agora? Porque hoje a aula de conversação de inglês foi sobre os pratos típicos dos países dos diversos alunos que estavam na sala: argentinos, mexicanos, um brasileiro, um italiano, uma albanesa, japoneses, um coreano, uma chinesa, uma cubana…e mais esta portuguesa que escreve. Foi muito interessante e divertido ver como os rapazes novos tinham dificuldade em explicar como eram e assim lá tive que dar uma ajuda ao brasileiro que queria descrever a “feijoada à brasileira”! Na sequência falou-se das sobremesas típicas, não as globalizadas, preveniu o professor, e então lá anunciei eu o Arroz-doce! A cubana disse que também era uma sobremesa comum em Cuba.

Chegada a casa pus-me à tarefa mas, claro, o que resultou não foi exactamente o cremoso  arroz-doce  que sai da Bimby! Claro que me dirão que andei mais de três dezenas de anos a fazer arroz-doce sem essa preciosidade e é verdade! Porém depois de o fazer lá, faze-lo tradicionalmente para atingir essa cremosidade não é tarefa simples pela obrigatoriedade de o mexer constantemente…e como tal o meu agarrou-se ao fundo do tacho e ficou um bocadinho duro. Para a próxima vou ficar um pouco mais atenta…

Não tinha uma tacinha de barro vidrado, como tenho lá em casa, e por isso tive que me socorrer de um prato IKEA dos que fazem parte do trem cá do apartamento e depois decorei-o com o motivo que vêm…

 

 

 

 

 

 

publicado por naterradosplatanos às 14:31 | link do post | comentar | ver comentários (14)

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